Se é possível aos homens amar infinitamente
então que o meu amor por ti ultrapasse a morte,
ultrapasse a saudade e esta tortura que é a tua ausência.
Se é possível amar para além das palavras
que o silêncio seja o meu testemunho
e que a memória se transforme numa perpétua oferenda.
Se é possível evitar o esquecimento
estaremos os dois de mãos dadas
para além do tempo, para além da distância,
Adão e Eva a recuperar a nossa origem.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Subsisto nas margens da vida
ainda submerso num turbilhão de sentimentos.
Era simples o meu mundo e confortável,
os dias tinham horas e as horas podiam ser programadas
nem que fosse apenas na tarefa de as sonhar diferentes.
Nós éramos o núcleo de tudo, o abrigo,
o aconchego de uma presença indubitada,
nós éramos o sentido que ia para além das palavras,
nós éramos suficientes para justificar a esperança.
Depois de nós fiquei só eu e o vazio,
a ausência, o desmoronar das horas calmas.
Subsisto nas margens da vida
e a memória é a companheira que não substitui o desespero.
ainda submerso num turbilhão de sentimentos.
Era simples o meu mundo e confortável,
os dias tinham horas e as horas podiam ser programadas
nem que fosse apenas na tarefa de as sonhar diferentes.
Nós éramos o núcleo de tudo, o abrigo,
o aconchego de uma presença indubitada,
nós éramos o sentido que ia para além das palavras,
nós éramos suficientes para justificar a esperança.
Depois de nós fiquei só eu e o vazio,
a ausência, o desmoronar das horas calmas.
Subsisto nas margens da vida
e a memória é a companheira que não substitui o desespero.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Sou Ulisses que perdeu a ilha e a viagem,
no interior da noite sinto a angustia do Minotauro
e foi em mim que morreram as perigosas sereias,
mulheres que prometiam o que há para além da banalidade.
Sou D. Sebastião sem império ou nevoeiro,
caravela que não conseguiu ultrapassar o Adamastor
e ficou suspensa entre o naufrágio e o tempo.
Sou saltimbanco enclausurado numa casa vazia
a treinar as piruetas diante de um espelho quebrado.
Sou silêncio submerso por uma tempestade de palavras,
destroços dos dias, máscaras dos sentimentos,
icebergues a flutuar num lago de sombras.
Sou quem fui e quem poderei ser.
Sou sonho e pesadelo, raiva,
as sensações distorcidas e os medos,
os diferentes ângulos de um mesmo reflexo
repetido nas paredes de uma loja de conveniência.
Sou o caleidoscópio de imagens congeladas,
todas elas convocando uma presença impossível,
todas elas reafirmando a tua ausência.
Sou memória e esquecimento, náusea,
relógio de água subitamente perdido no deserto
impossibilitando-me de saber o tempo e a distância.
Sou o que penso e a inconsciência,
vários rostos e nenhum deles nítido como eu queria,
nenhum deles de mármore para ultrapassar a morte.
Sou talvez a ilusão de ainda querer ser
mas essa teimosia herdei-a dos meus antepassados,
carrego-a como uma identidade,
preciso de saber de mim como quem regressa à origem
e descobre que tudo ainda está por construir.
no interior da noite sinto a angustia do Minotauro
e foi em mim que morreram as perigosas sereias,
mulheres que prometiam o que há para além da banalidade.
Sou D. Sebastião sem império ou nevoeiro,
caravela que não conseguiu ultrapassar o Adamastor
e ficou suspensa entre o naufrágio e o tempo.
Sou saltimbanco enclausurado numa casa vazia
a treinar as piruetas diante de um espelho quebrado.
Sou silêncio submerso por uma tempestade de palavras,
destroços dos dias, máscaras dos sentimentos,
icebergues a flutuar num lago de sombras.
Sou quem fui e quem poderei ser.
Sou sonho e pesadelo, raiva,
as sensações distorcidas e os medos,
os diferentes ângulos de um mesmo reflexo
repetido nas paredes de uma loja de conveniência.
Sou o caleidoscópio de imagens congeladas,
todas elas convocando uma presença impossível,
todas elas reafirmando a tua ausência.
Sou memória e esquecimento, náusea,
relógio de água subitamente perdido no deserto
impossibilitando-me de saber o tempo e a distância.
Sou o que penso e a inconsciência,
vários rostos e nenhum deles nítido como eu queria,
nenhum deles de mármore para ultrapassar a morte.
Sou talvez a ilusão de ainda querer ser
mas essa teimosia herdei-a dos meus antepassados,
carrego-a como uma identidade,
preciso de saber de mim como quem regressa à origem
e descobre que tudo ainda está por construir.
Desenho-te nas margens de um papel imaginário,
primeiro o teu sorriso,
depois as mãos que repousam no regaço,
essas mãos que tinhas sempre ocupadas.
Tenho dificuldade em definir a cor dos teus olhos,
verdes ou castanhos conforme a inspiração.
Deixo o teu corpo na penumbra da saudade
e não sei o que fazer com este desenho apenas imaginado.
primeiro o teu sorriso,
depois as mãos que repousam no regaço,
essas mãos que tinhas sempre ocupadas.
Tenho dificuldade em definir a cor dos teus olhos,
verdes ou castanhos conforme a inspiração.
Deixo o teu corpo na penumbra da saudade
e não sei o que fazer com este desenho apenas imaginado.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Amar-te não foi suficiente.
Por decreto do destino (em que não acredito)
foste descobrir a verdade que há na morte
e eu fiquei entre o silêncio e a ausência
a ruminar imagens e a insistir nas palavras.
Amar-te não foi suficiente.
Acreditei que era impossível abandonares-me
mas dizem que a realidade é mais forte do que a crença
e eu não gosto da realidade sem ti,
sinto que tudo se esvaziou à minha volta
e no interior de mim já não te tenho.
Amar-te não foi suficiente
e isso dói
sem que encontre palavras para justificar a tua ausência.
Por decreto do destino (em que não acredito)
foste descobrir a verdade que há na morte
e eu fiquei entre o silêncio e a ausência
a ruminar imagens e a insistir nas palavras.
Amar-te não foi suficiente.
Acreditei que era impossível abandonares-me
mas dizem que a realidade é mais forte do que a crença
e eu não gosto da realidade sem ti,
sinto que tudo se esvaziou à minha volta
e no interior de mim já não te tenho.
Amar-te não foi suficiente
e isso dói
sem que encontre palavras para justificar a tua ausência.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Com as palavras podem-se perpetuar memórias
mas elas não conseguem fazer esquecer a ausência.
Por vezes as palavras são cruéis na sua inutilidade
e dissolvem-se na boca como areia árida,
por vezes as palavras doem como gritos
e procuramos auxílio na águas do silêncio.
Outras vezes as palavras mentem a nossa realidade,
transportam-nos como tapetes mágicos
e julgamos que são paraísos os nossos pequenos infernos pessoais.
Como eu odeio as palavras hipócritas e ocas
com que preenchemos os nossos quotidianos,
como eu amo desesperadamente as palavras
sabendo que não posso esperar delas a salvação
mas mesmo assim repetindo a magia de criá-las.
mas elas não conseguem fazer esquecer a ausência.
Por vezes as palavras são cruéis na sua inutilidade
e dissolvem-se na boca como areia árida,
por vezes as palavras doem como gritos
e procuramos auxílio na águas do silêncio.
Outras vezes as palavras mentem a nossa realidade,
transportam-nos como tapetes mágicos
e julgamos que são paraísos os nossos pequenos infernos pessoais.
Como eu odeio as palavras hipócritas e ocas
com que preenchemos os nossos quotidianos,
como eu amo desesperadamente as palavras
sabendo que não posso esperar delas a salvação
mas mesmo assim repetindo a magia de criá-las.
Estupidamente pensamos que existimos para sempre,
movendo-nos num tempo que é só nosso,
irresistível presença no interior do espelho,
livremente prisioneiros nas nossas fronteiras,
iguais ao que a nossa memória diz de nós,
amáveis esqueletos a aguardar a morte.
Amamos apenas os nossos reflexos,
guardamos todos os objectos inúteis,
uma a uma contabilizamos as horas
insistindo nas pequenas impossibilidades,
amamos mesmo quando amar é um pleonasmo,
resistimos porque nada mais há para fazer.
movendo-nos num tempo que é só nosso,
irresistível presença no interior do espelho,
livremente prisioneiros nas nossas fronteiras,
iguais ao que a nossa memória diz de nós,
amáveis esqueletos a aguardar a morte.
Amamos apenas os nossos reflexos,
guardamos todos os objectos inúteis,
uma a uma contabilizamos as horas
insistindo nas pequenas impossibilidades,
amamos mesmo quando amar é um pleonasmo,
resistimos porque nada mais há para fazer.
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