Para onde vão os dias que passaram?
Haverá algum baú secreto onde se acumulam as pequenas sensações,
as palavras ridículas que nunca te disse
mas que foram as nossas senhas silenciosas?
Sou como uma criança à beira do desconhecido,
tenho medo de olhar
e as lágrimas escondo-as dos olhares dos outros
para que eles não se apercebam da minha fragilidade.
Sou como uma criança que perdeu o brinquedo
e não quer substituí-lo por um objecto qualquer.
Para onde vão os dias que passaram,
que rio levará com ele as memórias do que não foi possível?
sábado, 13 de novembro de 2010
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Fazes-me falta,
a cama é grande,
a casa está vazia de ti,
há palavras sufocadas na garganta,
palavras vestidas de negro
que nunca gostaria de habitar.
Fazes-me falta,
os dias repetem-se nos calendários
mas evito fazer deles efemérides,
os dias são apenas dias de ausência,
dias sem ti,
impossíveis memórias
porque o tempo não regressa.
Fazes-me falta,
os anos vão passar inevitavelmente
insensivelmente,
mas sem ti,
à tua revelia.
Fazes-me falta,
de todos os silêncios o teu é o mais definitivo,
o mais magoado
e rasga as paredes da minha tranquilidade aparente.
Fazes-me falta,
de todas as vozes só não ouço a tua
e os sons estão congelados no tempo
como imagens num álbum interdito.
Fazes-me falta
mas não há falsas promessas de reencontro
e a solidão é tudo o que me deixaste.
a cama é grande,
a casa está vazia de ti,
há palavras sufocadas na garganta,
palavras vestidas de negro
que nunca gostaria de habitar.
Fazes-me falta,
os dias repetem-se nos calendários
mas evito fazer deles efemérides,
os dias são apenas dias de ausência,
dias sem ti,
impossíveis memórias
porque o tempo não regressa.
Fazes-me falta,
os anos vão passar inevitavelmente
insensivelmente,
mas sem ti,
à tua revelia.
Fazes-me falta,
de todos os silêncios o teu é o mais definitivo,
o mais magoado
e rasga as paredes da minha tranquilidade aparente.
Fazes-me falta,
de todas as vozes só não ouço a tua
e os sons estão congelados no tempo
como imagens num álbum interdito.
Fazes-me falta
mas não há falsas promessas de reencontro
e a solidão é tudo o que me deixaste.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Traição
Traí o silêncio com todos os sons do desespero,
traí o princípio da insensibilidade,
traí-te quando te quis perfeita,
emoldurada num tempo dourado e falso.
Não sei se voltarei a recuperar a serenidade,
abandonei todos os projectos de invulnerabilidade
e não te quero imagem em relicário permanente.
Mesmo assim não há pior traição do que a morte.
traí o princípio da insensibilidade,
traí-te quando te quis perfeita,
emoldurada num tempo dourado e falso.
Não sei se voltarei a recuperar a serenidade,
abandonei todos os projectos de invulnerabilidade
e não te quero imagem em relicário permanente.
Mesmo assim não há pior traição do que a morte.
Esqueço-me dos sinais, das palavras, das paisagens comuns,
esqueço-me dos dias irrelevantes e dos gestos insignificantes
que abriam novas perspectivas no nosso mundo a dois,
esqueço-me do som dos teus sorrisos,
da cor do teu cabelo nas tuas mãos
e das minhas mãos no teu corpo,
esqueço,
esqueço-me,
esqueço-me de mim.
esqueço-me dos dias irrelevantes e dos gestos insignificantes
que abriam novas perspectivas no nosso mundo a dois,
esqueço-me do som dos teus sorrisos,
da cor do teu cabelo nas tuas mãos
e das minhas mãos no teu corpo,
esqueço,
esqueço-me,
esqueço-me de mim.
sábado, 16 de outubro de 2010
Eu
Esgotei os dicionários para saber das palavras impronunciáveis,
esgotei-me na missão de explorar os silêncios,
perdi-me nos labirintos dos espelhos,
julguei que me encontrava no que diziam de mim
mas eram apenas ecos ou reflexos das minhas cavernas,
sei-me intermitentemente e em excesso,
persisto teimosamente na tarefa de não desistir
e recuso-me a contabilizar as perdas e os ganhos
porque a vida é mais do que uma questão de contabilidade.
Fui quem sou em muitas ocasiões diferentes,
fui muitos e no entanto permaneci o mesmo,
fui sem esgotar o ser, sempre em projecto,
sempre insatisfeito em busca de cumprir o sonho
ou os múltiplos sonhos que vou arquitectando.
Eu.
Podem as palavras expressar convenientemente a existência humana?
esgotei-me na missão de explorar os silêncios,
perdi-me nos labirintos dos espelhos,
julguei que me encontrava no que diziam de mim
mas eram apenas ecos ou reflexos das minhas cavernas,
sei-me intermitentemente e em excesso,
persisto teimosamente na tarefa de não desistir
e recuso-me a contabilizar as perdas e os ganhos
porque a vida é mais do que uma questão de contabilidade.
Fui quem sou em muitas ocasiões diferentes,
fui muitos e no entanto permaneci o mesmo,
fui sem esgotar o ser, sempre em projecto,
sempre insatisfeito em busca de cumprir o sonho
ou os múltiplos sonhos que vou arquitectando.
Eu.
Podem as palavras expressar convenientemente a existência humana?
domingo, 10 de outubro de 2010
Precisamos todos de uma razão para viver
Porque a vida é um enigma que a si mesmo não se explica,
Uma equação da matemática dos sentimentos.
E no entanto há quem forneça regras,
Imponha caminhos e determine condições
E no entanto há pastores de rebanhos e rebanhos dóceis.
Precisamos todos de alcançar a felicidade
Mesmo que seja com diferentes mapas.
E no entanto há quem a venda engarrafada,
Há quem provoque holocaustos como única maneira de ser feliz
E no entanto há sempre aqueles
Para quem a sua felicidade implica a destruição dos outros.
Precisamos todos de ser mais humanos
Menos repletos de certezas, mais abertos.
E no entanto há quem detenha todas as verdades,
Quem seja o centro do mundo e arredores,
Um robô programado que aceita um único programa.
E ainda há quem proclame a superioridade do homem,
Esse bicho aflito que nem com a história aprende
Que a única lição de vida é viver plenamente
Sem nos anularmos nem ignorar os outros!
Porque a vida é um enigma que a si mesmo não se explica,
Uma equação da matemática dos sentimentos.
E no entanto há quem forneça regras,
Imponha caminhos e determine condições
E no entanto há pastores de rebanhos e rebanhos dóceis.
Precisamos todos de alcançar a felicidade
Mesmo que seja com diferentes mapas.
E no entanto há quem a venda engarrafada,
Há quem provoque holocaustos como única maneira de ser feliz
E no entanto há sempre aqueles
Para quem a sua felicidade implica a destruição dos outros.
Precisamos todos de ser mais humanos
Menos repletos de certezas, mais abertos.
E no entanto há quem detenha todas as verdades,
Quem seja o centro do mundo e arredores,
Um robô programado que aceita um único programa.
E ainda há quem proclame a superioridade do homem,
Esse bicho aflito que nem com a história aprende
Que a única lição de vida é viver plenamente
Sem nos anularmos nem ignorar os outros!
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Sobreviver
Sobram os dias vazios,
os dias recheados de inutilidades importantes,
os dias manchas a alastrar na parede
construindo um enorme mural de desespero.
Sobreviver não é tarefa de herói
e o corpo grita a ausência de outro corpo,
o corpo é pedra e faca, espuma depois da onda,
espinho que complementa a carne, ignóbil dor
como o são todas dores do sacrifício.
Sobram as palavras e os silêncios,
o lento mastigar das impossibilidades,
as imagens sombreadas de crepusculos.
Sobreviver não é assunto de poema épico
e tudo em mim recusa a crueldade do tempo,
esse relógio que tritura as engrenagens,
esse espelho da morte e das suas armadilhas.
os dias recheados de inutilidades importantes,
os dias manchas a alastrar na parede
construindo um enorme mural de desespero.
Sobreviver não é tarefa de herói
e o corpo grita a ausência de outro corpo,
o corpo é pedra e faca, espuma depois da onda,
espinho que complementa a carne, ignóbil dor
como o são todas dores do sacrifício.
Sobram as palavras e os silêncios,
o lento mastigar das impossibilidades,
as imagens sombreadas de crepusculos.
Sobreviver não é assunto de poema épico
e tudo em mim recusa a crueldade do tempo,
esse relógio que tritura as engrenagens,
esse espelho da morte e das suas armadilhas.
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