Meu amor, entre nós só há silêncios
e uma distância feita de tempos impossíveis,
falar de nós é como reinventar um deserto
e saber que o teu corpo é só areia e ausência de água.
Talvez os antigos deuses tenham previsto a nossa desgraça
mas não me consola que sejas apenas a Penélope da minha solidão.
Meu amor e eu que continuo a não acreditar na morte!
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
As palavras são relógios muito antigos,
clépsidras de água contemporâneas das sereias
que marcam o tempo do interior da consciência,
as palavras são pedras atiradas num concurso de paciência
que ganha quem finge não ser suas as que mais magoam,
as palavras podem ser nítidos silêncios,
ausência, saudade, murmúrio de um passado irreversível.
clépsidras de água contemporâneas das sereias
que marcam o tempo do interior da consciência,
as palavras são pedras atiradas num concurso de paciência
que ganha quem finge não ser suas as que mais magoam,
as palavras podem ser nítidos silêncios,
ausência, saudade, murmúrio de um passado irreversível.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
O silêncio das palavras é opressivo mas simultaneamente é consolador. O silêncio das palavras dói no corpo como um corpo ausente e no entanto é quase maternal esse espaço vazio, essa caverna onde podemos descansar. Espero, espero o tempo de retomar a viagem e partir nas caravelas das palavras nem que seja só no rumo das saudades.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Desespera-me não poder usar o teu nome
sem trazer com ele os fantasmas da memória,
sinto-me terrivelmente só sem a tua presença,
perdido num interregno qualquer do tempo
e sem vontade de recuperar a vida que perdi.
Os dias têm outros mistérios mais obscuros,
aprendo a gostar das penumbras e dos silêncios
mas o teu nome morre no interior da minha voz,
impossibilidade que me consome como uma febre,
tristeza interminável
que me habita como uma estátua de areia e dor.
Quando uso o teu nome e não me respondes
é como se o mundo desabasse em silêncio
soterrando-me nas ruínas que ficaram da tua ausência.
sem trazer com ele os fantasmas da memória,
sinto-me terrivelmente só sem a tua presença,
perdido num interregno qualquer do tempo
e sem vontade de recuperar a vida que perdi.
Os dias têm outros mistérios mais obscuros,
aprendo a gostar das penumbras e dos silêncios
mas o teu nome morre no interior da minha voz,
impossibilidade que me consome como uma febre,
tristeza interminável
que me habita como uma estátua de areia e dor.
Quando uso o teu nome e não me respondes
é como se o mundo desabasse em silêncio
soterrando-me nas ruínas que ficaram da tua ausência.
É impossível continuar a viver como se nada tivesse acontecido,
fazer da dor um pormenor, uma infeliz ocorrência,
silenciar a revolta
ou sepultá-la sob uma camada de aparente tranquilidade.
Sangro, sangro por dentro
e querem que sorria e finja o que não sinto,
querem que recupere a normalidade
mesmo que isso signifique perder-te definitivamente?
Não estou preparado para regressar à vida,
as memórias são as minhas companheiras
e não acredito que o tempo me vá tornar insensível.
fazer da dor um pormenor, uma infeliz ocorrência,
silenciar a revolta
ou sepultá-la sob uma camada de aparente tranquilidade.
Sangro, sangro por dentro
e querem que sorria e finja o que não sinto,
querem que recupere a normalidade
mesmo que isso signifique perder-te definitivamente?
Não estou preparado para regressar à vida,
as memórias são as minhas companheiras
e não acredito que o tempo me vá tornar insensível.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Ausência e dor não deviam fazer parte da condição humana.
É quase insuportável carregar o peso dos mortos,
acordar de noite com o vazio como companheira,
naufragar na vida e abandonar a viagem.
O amor, como nos livros, deveria ser superior a tudo
e impedir até que a morte se interpusesse entre nós
proibindo tudo aquilo que havia ainda para fazer em conjunto.
A memória nunca deveria ser o substituto da companhia.
Parem os relógios, proíbam os calendários
até que o tempo deixe de ser uma ferida infectada,
um espinho que incomoda e dói na persistência.
Ensinem-me como se aprende a viver com a morte
mas não me ofereçam discursos de como reconstruir a felicidade
porque as palavras mentem na sua inutilidade.
O silêncio nunca deveria ser definitivo,
impossibilidade de comunicar, ausência de voz,
interrupção da palavra que ficou interdita.
A memória nunca deveria ser o antídoto para o sofrimento.
Façam de conta que voltei a ser a criança que perdi em mim
e prometam-me um colo onde possa simplesmente adormecer.
Preciso urgentemente de recuperar a esperança
É quase insuportável carregar o peso dos mortos,
acordar de noite com o vazio como companheira,
naufragar na vida e abandonar a viagem.
O amor, como nos livros, deveria ser superior a tudo
e impedir até que a morte se interpusesse entre nós
proibindo tudo aquilo que havia ainda para fazer em conjunto.
A memória nunca deveria ser o substituto da companhia.
Parem os relógios, proíbam os calendários
até que o tempo deixe de ser uma ferida infectada,
um espinho que incomoda e dói na persistência.
Ensinem-me como se aprende a viver com a morte
mas não me ofereçam discursos de como reconstruir a felicidade
porque as palavras mentem na sua inutilidade.
O silêncio nunca deveria ser definitivo,
impossibilidade de comunicar, ausência de voz,
interrupção da palavra que ficou interdita.
A memória nunca deveria ser o antídoto para o sofrimento.
Façam de conta que voltei a ser a criança que perdi em mim
e prometam-me um colo onde possa simplesmente adormecer.
Preciso urgentemente de recuperar a esperança
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Os dias apesar de tudo persistem na cadência morna,
os silêncios substituem as palavras mortas
e eu deixo que tudo à minha volta se misture
até que a atmosfera de labirinto seja a única verdade.
Os relógios continuam a ser objectos absurdos,
generais das guerras interiores dos sentimentos,
carcereiros do tempo e mensageiros da inutilidade.
Estou condenado a ser um arqueólogo das memórias,
converto-as em imagens, em fragmentos de vida,
em palavras que só em mim têm sentido.
Os meus dias são pesadas sonolências
de quem não acorda de um infindável pesadelo.
Apesar de tudo não me sinto abandonado pelos deuses
porque o destino não existe
e os deuses só têm poder sobre quem neles acredita.
Nos calendários os ciclos do tempo institucionalizam-se
e podemos fingir que algumas datas têm importância
esquecendo que de ano para ano apenas ficamos mais velhos,
mais cansados de ransportar a vida às costas
carregando com ela todas as nossas ilusões frustradas.
Os meus dias são assim, de viúvo de mim próprio
com raiva de não poder rasgar os calendários.
os silêncios substituem as palavras mortas
e eu deixo que tudo à minha volta se misture
até que a atmosfera de labirinto seja a única verdade.
Os relógios continuam a ser objectos absurdos,
generais das guerras interiores dos sentimentos,
carcereiros do tempo e mensageiros da inutilidade.
Estou condenado a ser um arqueólogo das memórias,
converto-as em imagens, em fragmentos de vida,
em palavras que só em mim têm sentido.
Os meus dias são pesadas sonolências
de quem não acorda de um infindável pesadelo.
Apesar de tudo não me sinto abandonado pelos deuses
porque o destino não existe
e os deuses só têm poder sobre quem neles acredita.
Nos calendários os ciclos do tempo institucionalizam-se
e podemos fingir que algumas datas têm importância
esquecendo que de ano para ano apenas ficamos mais velhos,
mais cansados de ransportar a vida às costas
carregando com ela todas as nossas ilusões frustradas.
Os meus dias são assim, de viúvo de mim próprio
com raiva de não poder rasgar os calendários.
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